terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sugestão de leitura para as férias

 Crônicas maravilhosas de Martha Medeiros.

                                                      Todo o resto
"Certo e errado são convenções que se confirmam com meia dúzia de atitudes. Certo é ser gentil, respeitar os mais velhos, seguir uma dieta balanceada, dormir oito horas por dia, lembrar dos aniversários, trabalhar, estudar, casar e ter filhos, certo é morrer bem velho e com o dever cumprido. Errado é dar calote, repetir o ano, beber demais, fumar, se drogar, não programar um futuro decente, dar saltos sem rede. Todo mundo de acordo?
Todo mundo teoricamente de acordo, porém a vida não é feita de teorias. E o resto? E tudo aquilo que a gente mal consegue verbalizar, de tão intenso? Desejos, impulsos, fantasias, emoções. Ora, meia dúzia de normas preestabelecidas não dão conta do recado. Impossível enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós.
Somos maduros e ao mesmo tempo infantis, por trás do nosso autocontrole há um desespero infernal. Possuímos uma criatividade insuspeita: inventamos músicas, amores e problemas, e somos curiosos, queremos espiar pelo buraco da fechadura do mundo para descobrir o que não nos contaram. Todo o resto. 
O amor é certo, o ódio é errado e o resto é uma montanha de outros sentimentos, uma solidão gigantesca, muita confusão, desassossego, saudades cortantes, necessidade de afeto e urgências sexuais que não se adaptam as regras do bom comportamento. Há bilhetes guardados no fundo das gavetas que contariam outra versão da nossa história, caso viessem a público.
Todo o resto é o que nos assombra: as escolhas não feitas, os beijos não dados, as decisões não tomadas, os mandamentos que não obedecemos, ou que obedecemos bem demais – a troco de que fomos tão bonzinhos?
Há o certo, o errado e aquilo que nos dá medo, que nos atrai, que nos sufoca, que nos entorpece. O certo é ser magro, bonito, rico e educado, o errado é ser gordo, feio, pobre e analfabeto, e o resto nada tem a ver com estes reducionismos: é nossa fome por ideias novas, é nosso rosto que se transforma com o tempo, são nossas cicatrizes de estimação, nossos erros e desilusões.
Todo o resto é muito vasto. É nossa porra-louquice, nossa ausência de certezas, nossos silêncios inquisidores, a pureza e a inocência que se mantêm vivas dentro de nós mas que ninguém percebe, só porque crescemos. A maturidade é um álibi frágil. Seguimos com uma alma de criança que finge saber direitinho tudo o que deve ser feito, mas que no fundo entende muito pouco sobre as engrenagens do mundo. Todo o resto é tudo que ninguém aplaude e ninguém vaia, porque ninguém vê"

Sempre melhorando

Queridos alunos da escola Rocha Pombo Crissiumal
Nem bem encerrou o ano letivo de 2014 e já estou pensando no próximo...
Mais uma ferramenta criada para melhorar ainda mais nossas aulas em 2015.

http://www.eskolar.com.br/Roseli

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Mensagem de Natal

"Mais um Natal aproxima-se 
Inquietação...Ansiedade...Dúvidas...Que presente darei?!
Que presente ganharei?!Que roupa vestirei?!
Onde passarei?!Com quem passarei?!
O que cearei?!Quantas interrogações...
Algumas antecipadamente já respondidas,
Outras ainda permanecem na interrogativa...
Mas porque tanta preocupação?!
Por que nos preocuparmos com coisas tão banais?
O que importa tudo isso diante da nossa vida?!
O que para nós parece tão importante que nos deixa na dúvida de como resolver,
Para outros é impossível até o de ter o direito de ter dúvidas.
por tudo isso, façamos um Natal diferente.
Não vamos fazer, esperando retorno.
Vamos pelo menos tentar...
Mudemos o nosso comportamento.
A nossa maneira de ser e encarar as pessoas.
Vamos ser mais solidários
Vamos ser mais gentis.
Vamos ser mais agradáveis
Vamos ser mais prestativos.
Vamos retribuir a tudo o que nos fizerem
com amor,com simpatia, com gentileza...
Vamos olhar a nossa volta
Não somente olhar, mas enxergar as pessoas que nos cercam.
Vamos ser mais atenciosos com os nossos vizinhosCom o nosso porteiro,
com o nosso colega de trabalho,
Com todas as pessoas que estão no nosso caminho
No nosso dia-a-dia, e nem sequer as cumprimentamos
Vamos não só falar, mas praticar o amor verdadeiro. O amor sincero, puro e desinteressado
Vamos dar a nossa contribuição
na tentativa de fazermos um mundo melhor.
Não vamos lavar as nossas mãos como Pilatos.
Vamos dar a nossa contribuição. Pois por menor que seja,
com certeza fará diferença na vida de alguém."


Autora: Sandra Mamede


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Coletânea de textos

Para ler e pensar:

Clarice Lispector
“Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
– E daí? Eu adoro voar!
Não me deem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.”

“Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. tranquilidade, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer… Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. Ou toca, ou não toca.”
“É curioso não saber dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.”
Martha Medeiros
“Eu sou feita de sonhos interrompidos, detalhes despercebidos, amores mal resolvidos. Sou feita de choros sem ter razão, pessoas no coração, atos por impulsão. Sinto falta de lugares que não conheci, experiências que não vivi, momentos que já esqueci. Eu sou amor e carinho constante, distraída até o bastante, não paro por instante. Já tive noites mal dormidas, perdi pessoas muito queridas, cumpri coisas não-prometidas. Muitas vezes eu desisti sem mesmo tentar, pensei em fugir para não enfrentar, sorri para não chorar. Eu sinto pelas coisas que não mudei, amizades que não cultivei, aqueles que eu julguei, coisas que eu falei. Tenho saudade de pessoas que fui conhecendo, lembranças que fui esquecendo, amigos que acabei perdendo. Mas continuo vivendo e aprendendo.”
“Não gosto que me peçam para ser boa, não me peçam nada, mesmo aquilo que eu posso dar. As relações de dependência me assustam. Não precisem de mim com hora marcada e por motivo concreto, precisem de mim a todo instante, a qualquer hora, sei ouvir o chamado silencioso da amizade verdadeira, do amor que não cobra, estarei lá sem que me vejam, sem que me percebam, sem que me avaliem.”
Fernanda Mello
“Gosto de pensar assim: se a gente faz o que manda o coração, lá na frente, tudo se explica. Por isso, faço a minha sorte. Sou fiel ao que sinto. Aceito feliz quem eu sou. Não acho graça em quem não acha graça. Acho chato quem não se contradiz. Às vezes desejo mal. Sou humana. Sou quase normal. Não ligo se gostarem de mim em partes. Mas desejo que eu me aceite por inteiro. Não sou perfeita, não sou previsível. Sou uma louca. Admiro grandes qualidades. Mas gosto mesmo dos pequenos defeitos. São eles que nos fazem grande. Que nos fazem fortes. Que nos fazem acordar. Acho bonito quem tem orgulho de ser gente. Porque não é nada fácil, eu sei. Por isso continuo princesa. Continuo guerreira. Continuo na lua. Continuo na luta. No meio do caos que anda o mundo, aceitar é ser feliz.”
“Eu sou uma eterna apaixonada por palavras. Música. E pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono. Gosto de quem mete a cara, arrisca o verso, desafia a vida. Eu sou criança. E vou crescer assim. Gosto de abraçar apertado, sentir alegria inteira, inventar mundos, inventar amores. O simples me faz rir, o complicado me aborrece.”
“Me perco em mim como se não houvesse começo nem fim nessa coisa de pensar e achar explicação pra vida. Explicação mesmo, eu sei: não há. E me agarro no meu sentir porque, no fundo, só meu coração sabe. E esse mesmo coração que me guia e não quer grades nem cobranças, às vezes me deixa sem rumo, com uma interrogação bem no meio da frase: O que eu quero mesmo?”
“Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E – sem saber – busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir… Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem – na verdade – a gente é.”
Caio Fernando de Abreu
“Tenho uma parte que acredita em finais felizes, em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado. Tenho uma metade que mente, trai, engana. Outra que só conhece a verdade. Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. Outra que sobrevive sozinha, metade auto-suficiente.”
“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce.
Quando há sol e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas,se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder.Tudo é tão vago como se fosse nada”

Tati Bernardi
“Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de Perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. Mas dá realmente pra ser assim?”
“Na mulher interessante a beleza é secundária, irrelevante e até mesmo desnecessária. A beleza morre nos primeiros quinze dias, num insuportável tédio visual. Era preciso que alguém fosse de mulher em mulher anunciando: ser bonita não interessa, seja interessante.”
Dói mesmo, eu me apaixono mesmo, sou intensa mesmo, eu me ferro mesmo. Tudo é bom, tudo é vazio, tudo é bom de novo. Viver é um absurdo e não dá pra passar por isso tão ileso.”
Outros Autores
“O tempo nem sempre cura tudo. Tenho feridas que já cicatrizaram, mas que insistem em latejar quando o dia está nublado. Tenho mágoas que já foram superadas, mas se lembro bem, se lembro forte, se penso nelas eu choro. E o choro dói, dói, dói como se fosse ontem. Tenho vontades que nunca passam. Tenho uma tara por chocolate e queijo que nunca saiu de viagem. Tenho mania de escrever em blocos e ter pelo menos dois deles sempre dentro da bolsa. Tenho sentimento de posse, tenho ciúme, tenho medo de perder quem é essencial na minha vida. Tenho medo de me perder, por isso acendo todas as luzes.” (Clarissa Corrêa)
“Sou complexa, sou mistura. Sumo, surto, vou embora, apareço do nada. Odeio a falta de oxigênio das obrigações, encurto conversas bestas, estendo um bom drama. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar. Não me doo, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou isso hoje, amanhã já me reinventei.”
(Isabelle Duarte) Fonte: depoisdosquinze.com 
 

sábado, 1 de novembro de 2014

O Enem está chegando!

    Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está chegando. Será realizado nos dias 08 e 09 de novembro.
    Aqui estão algumas dicas para os alunos que irão realizar esta tão esperada avaliação. Nesta reta final, não é recomendável exagerar nos estudos, ficar sem dormir para estudar e cometer outros excessos. No entanto, não dá para abandonar os cadernos, ainda dá tempo de revisar conteúdos, focar nas disciplinas onde há mais dúvidas, fazer mais simulados e treinar a redação.

Estudo na medida certa

    É indicado estudar até o último instante, é necessário manter o ritmo, mas sem excessos para não correr riscos. O estudante precisa estar no auge na época das provas, mas é preciso lembrar que se ele se esforçar demais, vai se cansar.

    A leitura de jornais e revistas também é fundamental porque ajuda no repertório para produzir as dissertações e responder as questões de atualidades do Enem. A psicopedagoga Ana Cássia Maturano, blogueira do portal G1*, diz que os estudantes precisam nesta reta final "é canalizar tempo e energia para os pontos nevrálgicos (conteúdos com mais dificuldades) ou aqueles cujo peso é maior na pontuação da carreira escolhida." "Nada de se proporem missões impossíveis, como rever todos os resumos ou coisa do tipo", afirma.
    Outra sensação muito comum nesta época, segundo Ana Cássia, é de que o aluno não sabe nada, mesmo com os feedbacks positivos dos simulados. "Para quem estudou isso é um engano. Não temos muita noção do que sabemos sobre algum assunto, mas é muito mais do que imaginamos. O conhecimento será estimulado a vir à tona diante das questões das provas."

Alimentação

    Comer bem faz parte da preparação do vestibulando. Isso significa fazer de cinco a seis refeições por dia, o que inclui café da manhã, almoço, jantar e lanches leves intercalados.Um cardápio equilibrado tem frutas, verduras e legumes e alimentos que podem fortalecer as funções do cérebro, como peixes e linhaça.

Ansiedade

    Além de estudar e se alimentar bem, o estudante precisa controlar a ansiedade. A dica vale ainda para os pais, que acompanham a evolução do filho nos estudos. A psicóloga Marilda Lipp, diretora do Centro Psicológico de Controle do Stress, afirma que uma das principais formas de aliviar a tensão é fazer exercícios de respiração profunda. Para respirar profundamente, o estudante deve fechar os olhos e imaginar que o abdome é uma bexiga vazia. Depois, ele deve inspirar até encher o abdome. Quando estiver cheio, deve parar e expirar pela boca até esvaziar o abdome. Segundo a psicóloga, fazer essa respiração uma vez pela manhã, outra à tarde e outra à noite todos os dias ajuda a eliminar o excesso de ansiedade.

   No dia das provas, chegar com antecedência é fundamental para garantir que o início seja tranquilo. Antes de entrar para a prova, o aluno deve procurar um canto, relaxar, focar no que tem de fazer e se conscientizar do período em que se dedicou para os exames.
   Desejo boa sorte e uma ótima prova a todos!
   Professora Roseli

Texto de Martha Medeiros

                          O que acontece no meio

   “Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.
   No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo.
   Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.
   No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa.
   Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.
   No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença.
Que adultos se divertem mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.
   No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo).
Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.
   No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue. Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.”

Texto de Martha Medeiros escrito em 11 de Dezembro de 2011 para a Revista O Globo.

Ideias a mil para 2015

Devemos a cada ano repensar nossas práticas pedagógicas e melhorar o que for preciso.
O ano letivo de 2014 está quase chegando ao final e consequentemente devemos planejar o que virá.
Renovação é a palavra de ordem para colaborar no conhecimento dos alunos, e em minhas pesquisas, leituras e procura de novas ideias, surgiu a Webquest, que apresento a seguir e que será adotada em minhas aulas como uma ferramenta para o aprendizado de Língua Portuguesa.

WebQuest é uma metodologia de pesquisa na Internet, voltada para o processo educacional, estimulando a pesquisa e o pensamento crítico. É um modelo extremamente simples e rico para dimensionar usos educacionais da Web. O conceito foi criado em 1995 por Bernie Dodge, professor estadual da Califórnia (EUA) tendo como proposta metodológica o uso da Internet de forma criativa. A Webquest é uma atividade investigativa onde as informações com as quais os alunos interagem provêm da internet. Hoje ela conta com mais de dez mil páginas na Web, com propostas de educadores de diversas partes do mundo (EUA, Canadá, Islândia, Austrália, Portugal, Brasil, Holanda, entre outros).
 
Navegar na Internet pode ser um processo de busca de informações valioso na construção do conhecimento, gerando um rico ambiente interativo facilitador e motivador de aprendizagem, bem como pode ser um dispersivo e inútil coletador de dados sem relevância que não agregam qualidade pedagógica ao uso da rede, mas com a WEBQUEST, trabalha-se em forma de projetos de pesquisa utilizando a ideia de aprendizagem colaborativa. É um espaço na WEB que irá facilitar e enriquecer o uso da Internet por professores e alunos.
 
 Como organizar uma Webquest:

Sua elaboração
É feita por um professor para ser solucionada por alunos reunidos em grupos.


Seus recursos
Também chamados de fontes, os recursos podem ser livros, vídeos e mesmo pessoas a entrevistar, mas normalmente são sites ou páginas da Web.


Tipos
Bernie Dodge define a Webquest em:
Curta: Leva de uma a três aulas para ser explorada pelos alunos e seu objetivo é a integração do conhecimento.
Longa: Leva de uma semana a um mês para ser explorada pelos alunos em sala de aula e tem como objetivo a extensão e o refinamento de conhecimentos.

A Webquest é constituída de sete seções:
- Introdução - Determina a atividade.
- Tarefa - Informa o software e o produto a serem utilizados.
- Processo - Define a forma na qual a informação deverá ser organizada (livro, vídeos etc).
- Fonte de informação - Sugere os recursos: endereços de sites, páginas da Web.
- Avaliação - Esclarece como o aluno será avaliado.
- Conclusão - Resume os assuntos explorados na Webquest e os objetivos supostamente atingidos.
- Créditos - Informa as fontes de onde são retiradas as informações para montar a webquest, quando página da Web coloca-se o link, quando material físico coloca-se a referência bibliográfica. É também o espaço de agradecimento às pessoas ou instituições que tenham colaborado na elaboração.


Objetivos Educacionais
- O educador moderniza os modos de fazer educação (sincronizado com o nosso tempo/internet).
- Garante o acesso à informação autêntica e atualizada.
- Promove uma aprendizagem cooperativa.


Desenvolver habilidades cognitivas
“Aprendizagens significativas são resultados de atos de cooperação, as WQs estão baseadas na convicção de que aprendemos mais e melhor com os outros do que sozinhos.”

- Favorece as habilidades do conhecer (o aprender a aprender).
- Oportuniza para que os professores de forma concreta se vejam como autores da sua obra e atuem como tal. (acessar, entender e transformar).
- Favorece o trabalho de autoria dos professores.
- Incentivar a criatividade dos professores e dos alunos que realizarão investigações com criatividade.
- Favorecer o compartilhamento dos saberes pedagógicos, pois é uma ferramenta aberta de cooperação e intercâmbio docente de acesso livre e gratuito.


Quem está usando as WQs
Pelo seu aspecto pedagógico, dinâmico, amplo, informativo e investigativo, estimula:
- Professores, Mestres e Doutores das mais diversas áreas e seguimentos.
- Alunos.


Exemplos de WQs
www.vivenciapedagogica.com.br
webquest.sp.senac.br
www.webquest.futuro.usp.br
www.ese.ips.pt/abolina/webquests/bio/biodiversidade.html
www.escolabr.com
www.webquest.futuro.usp.br
www.edukbr.com.br
www.escolanet.com.br
www.iep.uminho.pt/encontro.webquest/workshops.htm
www.livre.escolabr.com/ferramentas/wq/
wqtiete.vila.bol.com.br
wqenergia.vila.bol.com.br


Passos para elaboração de uma Webquest

Planejar
  • Definir o tema
  • Selecionar fontes de informação
  • Delinear a tarefa
  • Estruturar o processo
Formatar
  • Escrever a introdução
  • Escrever a conclusão
  • Inserir o conteúdo no gabarito
Publicar
  • Fazer os acertos finais
  • Publicar a Webquest
Gabaritar
  • Nessa etapa é necessário usar um editor HTML, o que exige conhecimento em informática.
  •  Fonte: Brasil escola
  •   

sábado, 18 de outubro de 2014

Concordância Verbal e Nominal para Turmas 311 e 313

   De acordo com Mattoso Câmara “dá-se em gramática o nome de concordância à circunstância de um adjetivo variar em gênero e número de acordo com o substantivo a que se refere (concordância nominal) e à de um verbo variar em número e pessoa de acordo com o seu sujeito (concordância verbal). Há, não obstante, casos especiais que se prestam a dúvidas”.
   Então, observamos e podemos definir da seguinte forma: concordância vem do verbo concordar, ou seja, é um acordo estabelecido entre termos.
   O caso da concordância verbal diz respeito ao verbo em relação ao sujeito, o primeiro deve concordar em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª, 3ª) com o segundo.
   Já a concordância nominal diz respeito ao substantivo e seus termos referentes: adjetivo, numeral, pronome, artigo. Essa concordância é feita em gênero (masculino ou feminino) e pessoa.

                              Concordância Verbal -  Regra Geral

O verbo de uma oração deve concordar em número e pessoa com o sujeito, para que a linguagem seja clara e a escrita esteja de acordo com as normas vigentes da gramática. Observe:

1. Eles está muito bem. (incorreta)
2. Eles estão muito bem. (correta)

O sujeito “eles” está na 3ª pessoa do plural e exige um verbo no plural. Essa constatação deixa a primeira oração incorreta e a segunda correta.

Primeiramente, devemos observar quem é o sujeito da frase, bem como analisar se ele é simples ou se é composto.

Sujeito simples é aquele que possui um só núcleo e, portanto, a concordância será mais direta. Vejamos:

1. Ela é minha melhor amiga.
2. Eu disse que eles foram à minha casa ontem.

Temos na primeira oração um sujeito simples “Ela”, o qual concorda em pessoa (3ª pessoa) e número (singular) com o verbo “é”.
Já na segunda temos um período formado por duas orações: “Eu disse” que “eles foram à minha casa ontem”. “Eu” está em concordância em pessoa e número com o verbo “disse” (1ª pessoa do singular), bem como “eles” e o verbo “foram” (3ª pessoa do plural).

Lembre-se que período é a frase que possui uma ou mais orações, podendo ser simples, quando possui um verbo, ou então composto quando possuir mais de um verbo.

Sujeito composto é aquele que possui mais de um núcleo e, portanto, o verbo estará no plural. Vejamos:

1. Joana e Mariana saíram logo pela manhã.
2. Cachorros e gatos são animais muito obedientes.

Na primeira oração o sujeito é composto de dois núcleos (Joana e Mariana), que substituído por um pronome ficará no plural: Joana e Mariana = Elas. O pronome “elas” pertence à terceira pessoa do plural, logo, exige um verbo que concorde em número e pessoa, como na oração em análise: saíram.
O mesmo acontece na segunda oração: o sujeito composto “cachorros e gatos” é substituído pelo pronome “eles”, o qual concorda com o verbo são em pessoa (3ª) e número (plural). 

                         Concordância Nominal


Concordância nominal nada mais é que o ajuste que fazemos aos demais termos da oração para que concordem em gênero e número com o substantivo. Teremos que alterar, portanto, o artigo, o adjetivo o numeral e o pronome
Além disso, temos também o verbo, que se flexionará à sua maneira, merecendo um estudo separado de concordância verbal.

REGRA GERAL: O artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome, concordam em gênero e número com o substantivo.
- A pequena criança é uma gracinha.
- O garoto que encontrei era muito gentil e simpático. 


CASOS especiais: Veremos alguns casos que fogem à regra geral, mostrada acima.

a) Um adjetivo após vários substantivos
1 - Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o plural ou concorda com o substantivo mais próximo.
- Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui.
- Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui.

2 - Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural masculino ou concorda com o substantivo mais próximo.
- Ela tem pai e mãe louros.
- Ela tem pai e mãe loura.

3 - Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoriamente para o plural.
- O homem e o menino estavam perdidos.
- O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui. 


b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos
1 - Adjetivo anteposto normalmente: concorda com o mais próximo.
Comi delicioso almoço e sobremesa.
Provei deliciosa fruta e suco.

2 - Adjetivo anteposto funcionando como predicativo: concorda com o mais próximo ou vai para o plural.
Estavam feridos o pai e os filhos.
Estava ferido o pai e os filhos. 


c) Um substantivo e mais de um adjetivo
1- antecede todos os adjetivos com um artigo.
Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola.
2- coloca o substantivo no plural.
Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola. 

d) Pronomes de Tratamento
1 - sempre concordam com a 3ª pessoa.
Vossa santidade esteve no Brasil. 

e) Anexo, incluso, próprio, obrigado
1 - Concordam com o substantivo a que se referem.
As cartas estão anexas.
A bebida está inclusa.
Precisamos de nomes próprios.
Obrigado, disse o rapaz. 


f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a)
1 - Após essas expressões o substantivo fica sempre no singular e o adjetivo no plural.
Renato advogou um e outro caso fáceis.
Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe. 


g) É bom, é necessário, é proibido
1- Essas expressões não variam se o sujeito não vier precedido de artigo ou outro determinante.
Canja é bom. / A canja é boa.
É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A entrada é proibida. 


h) Muito, pouco, caro
1- Como adjetivos: seguem a regra geral.
Comi muitas frutas durante a viagem.
Pouco arroz é suficiente para mim.
Os sapatos estavam caros.

2- Como advérbios: são invariáveis.
Comi muito durante a viagem.
Pouco lutei, por isso perdi a batalha.

Comprei caro os sapatos.

i) Mesmo, bastante
1- Como advérbios: invariáveis
Preciso mesmo da sua ajuda.
Fiquei bastante contente com a proposta de emprego.

2- Como pronomes: seguem a regra geral.
Seus argumentos foram bastantes para me convencer.
Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou. 


j) Menos, alerta
1- Em todas as ocasiões são invariáveis.
Preciso de menos comida para perder peso.
Estamos alerta para com suas chamadas. 


k) Tal Qual
1- “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda com o consequente.
As garotas são vaidosas tais qual a tia.
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos. 


l) Possível
1- Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “melhor” ou “pior”, acompanha o artigo que precede as expressões.
A mais possível das alternativas é a que você expôs.
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da empresa.
As piores situações possíveis são encontradas nas favelas da cidade. 


m) Meio
1- Como advérbio: invariável.
Estou meio insegura.
2- Como numeral: segue a regra geral.
Comi meia laranja pela manhã. 

n)
1- apenas, somente (advérbio): invariável.
Só consegui comprar uma passagem.
2- sozinho (adjetivo): variável.
Estiveram sós durante horas. 

Fonte Brasil escola

sábado, 4 de outubro de 2014

Para meus alunos das oficinas da escola Rocha Pombo

                   Oficina: Leitura, escrita e interpretação de textos

 

                                  Queridos!!!!

  Achei muito interessante esses sites com jogos educativos e brincadeiras sobre leitura e escrita. Aproveitem e um grande abraço!!!

 

http://www.ed.conpet.gov.br/br/venhaaprender.php
Informações importantes sobre o uso eficiente de energia, recursos naturais, meio ambiente, petróleo, gás natural, energias renováveis e boas dicas de economia de energia.

http://www.ed.conpet.gov.br/br/converse.php
Converse com o robô

http://www.sheppardsoftware.com/mathgames/earlymath/subHarvest.htm
Subtração


http://www.alzirazulmira.com/jogos1.htm
vários (memória, retrato falado, parlendas, cantigas, trava-línguas, etc)


http://www.pedagogia.com.br/jogos/popupJogo.php?jogo=LetraInicial
Letra inicial das figuras


http://www.pedagogia.com.br/jogos.php#

Cruzadinha de frutas


http://www.tvratimbum.com.br/secoes/jogos/
Vários jogos

http://www.tvratimbum.com.br/secoes/jogos/?id=18

Formar palavras


http://www.tvratimbum.com.br/secoes/jogos/?id=38

Separar letras e números


http://www.tvratimbum.com.br/secoes/jogos/?id=19

Jogos de montar


http://www.tvratimbum.com.br/secoes/jogos/?id=17
memória


http://www.atividadeseducativas.com.br/index.php?id=476
Unidades, dezenas e centenas


http://www.educacaodinamica.com.br/games/jogo_educacional.asp?jogo=material_dourado1
Material dourado - formar números


http://www.atividadeseducativas.com.br/index.php?id=1539

A cigarra e a formiga


http://www.smilinguido.com.br/jogos/index.php?cmd=page&params=&typeid=0&page=1&gotopage=2&items_per_page=5
Vários jogos Smilinguido

http://www.smilinguido.com.br/jogos/jogo.php?id=16
Pintar as figuras do Smilinguido


http://www.cercifaf.org.pt/mosaico.edu/ca/contar1.html
Contando

http://www.cercifaf.org.pt/mosaico.edu/ca/index_ca.htm
Vários jogos

http://drkaos.psico.ufrgs.br/jogos/grafitti.html
Grafitar o que quiser


Fonte: educarcrianca.com.br

Trabalho sobre a obra "Amor de Perdição" para Turma 211

   Camilo castelo Branco conquistou fama com a novela passional Amor de Perdição. Bem ao gosto romântico, a característica principal da novela passional é o seu tom trágico. As personagens estão sempre em luta contra terríveis obstáculos para alcançar a felicidade no amor. Normalmente, essa busca é frustrante. Mesmo quando os amantes ficam juntos, isso é conseguido a custa de muito sofrimento. Os direitos do coração, frequentemente, vão de encontro aos valores sociais e morais. 

 Após a leitura da obra sugerida, responda as seguintes questões:

                                                                  OBS: Entregar dia 13/10

   Leia com atenção o trecho a seguir, extraído do último capítulo de “Amor de Perdição”, de CAMILO CASTELO BRANCO:

            “Viram-na, um momento, bracejar, não para resistir à morte, mas para abraçar-se ao cadáver de Simão, que uma onda lhe atirou aos braços.  O comandante olhou para o sítio donde Mariana se atirara, e viu, enleado no cordame, o avental, e à flor da água, um rolo de papéis, que os marujos recolheram na lancha.”

Questão 1. Na novela AMOR DE PERDIÇÃO, de Camilo Castelo Branco,

a) Simão ficou indeciso entre o amor de Mariana e o de Teresa.
b) Simão rejeitou a oportunidade que lhe foi oferecida para livrar-se do desterro.
c) a apresentação do pai e de suas origens justifica o orgulho que a família de Simão ostenta.
d) o autor revela grande respeito pelas instituições religiosas de seu tempo.
e) Ritinha, irmã mais nova de Simão, abandonou a família para apoiá-lo em suas dificuldades.

Questão 2. É uma característica da obra de Camilo Castelo Branco:

a) a influência rica em sua poesia de símbolos, imagens alegóricas e construções.
b) a oscilação entre o lirismo e o sarcasmo, deixando páginas de autêntica dramaticidade, vibrando com personagens que comumente intervêm no enredo, tecendo comentários piedosos, indignados ou sarcásticos.
c) a busca de uma forma adequada para conter o sentimentalismo do passado e das formas românticas.
d) o fato de deixar ao mundo um alerta sobre o mal-estar trazido pela civilização moderna e industrializada.
e) o apego ao conto como principal realização literária, através do qual se tornou um dos autores mais respeitados na literatura portuguesa.


Questão 3. Assinale a opção em que todos os elementos caracterizam a poesia romântica brasileira, respectivamente, em suas três gerações ou fases.

a) lndianismo, melancolia, preocupação social.
b) Nacionalismo, autocompaixão, ambiência lúgubre.
c) Preocupação formal, subjetivismo, morbidez acentuada.
d) Imaginação criadora, engajamento político, inspiração clássica.
e) Natureza, pessimismo, cientificismo.

Questão 4. Assinale a alternativa em que a característica apresentada NÃO pode ser atribuída à poesia romântica brasileira.

a) impessoalidade e objetividade
b) idealização da mulher
c) apego à natureza
d) atmosfera noturna e misteriosa
e) presença da morte


Questão 5. Assinale a alternativa INCORRETA sobre ‘Amor de Perdição’.

a) Os fatos se encadeiam até atingir o final feliz, característico da literatura romântica.
b) Trata-se de uma novela passional narrada em terceira pessoa.
c) A base da narrativa se estabelece na relação amorosa entre Simão Botelho e Teresa Albuquerque.
d) É uma espécie de Romeu e Julieta português, em que a relação amorosa de dois jovens é impedida por questões familiares.
e) Seus personagens principais são típicos heróis românticos.

Questão 6.  Pode-se dizer que Teresa e Mariana, embora de maneira diferentes, encarnam personagens tipicamente românticas? Por quê?

Questão 7.  Que tipo de narrador há no texto? Qual é a atitude dele diante dos fatos que está narrando?

Questão 8.  Porque Amor de Perdição é considerado um romance passional?

Questão 9. O trecho abaixo descreve o comportamento social esperado de um indivíduo no século XIX. Leia-o e responda: 

   "Qualquer singularidade, [no vestir como] em qualquer campo, é um pecado de lesa-sociedade. Deve-se sempre ceder ao desejo do grupo, sem jamais impor o seu próprio: não pedir papel para escrever ou reclamar o urinol quando as carnes estiverem prontas para servir e as mãos lavadas. Não se deve ser nem tímido, nem familiar, nem melancólico. Deve-se sempre manter a dignidade com os criados (alguns “soberbos” “estão sempre repreendendo seus criados e mantendo toda a família em perpétuo rebuliço”), e na rua, onde o passo não deve ser nem precipitado nem muito lento, e onde nunca se deve olhar fixamente para os passantes." 
                 ARIÈS, Phillipe. Da família medieval à família moderna: história social da criança e da família. Tradução: Dora Flaskman. Rio de Janeiro: LTC, 1981. 
 
A família, a partir do século XIX, tem um papel vital na formação do indivíduo, estabelecendo o comportamento acima descrito. De que forma essa convenção social, isto é, a obrigatoriedade da
obediência, reflete-se nas ações das personagens Simão e Teresa, de Amor de perdição?

 Questão 10. Considerando as atitudes do pai de Simão e do pai de Teresa, discutir se a história dos jovens namorados poderia ocorrer em nossos dias.


Fonte: Brasilescola.com.br

Análise da obra Clarissa de Érico Veríssimo para T311 e T313


       

                                       “Clarissa” de Erico Veríssimo



Dados Biográficos:
Erico Veríssimo nasceu em Cruz Alta, Rio Grande do Sul, em 1905. Tinha de uma família outrora abastada, mas que foi empobrecendo. Sendo filho mais velho, tinha ainda o irmão, Ênio, e uma irmã adotiva, Maria. Aos quatro anos de idade sofreu um ataque de meningite, juntamente com uma broncopneumonia, da qual conseguiu curar-se. Destas reminiscências da infância poderá ter surgido a inspiração para construir a personagem de saúde débil do menino da cadeira de rodas em Clarissa. O impacto causado pela doença é notório nas suas obras, pela compaixão que despertam as personagens que sofrem de doenças graves ou crônicas, muitas vezes elas próprias emocionalmente devastadas.
Erico Veríssimo foi um aluno aplicado, mas discreto. Gostava de observar o pai a trabalhar na farmácia de que era proprietário e, na escola, no ano de 1914, já com cerca de dez anos de idade, cria uma pequena revista, Caricaturas na qual publica os seus desenhos e pequenas notas.
   Aos treze anos, torna-se leitor assíduo dos grandes ícones da Literatura Brasileira e estrangeira e com, dezesseis, inscreve-se num internato de orientação protestante, em Porto Alegre. Em 1922, os seus pais separam-se, na altura em que termina o ensino secundário e Érico, Enio e Maria vivem, daí em diante, com a mãe e a avó. O pai, entretanto, perde a farmácia e Érico emprega-se no armazém de um tio, passando depois a trabalhar na banca. Paralelamente, o Autor de Clarissa, transcrevia obras de autores conhecidos como Machado de Assis e Euclides da Cunha, ao mesmo tempo que se deixava seduzir pela música lírica. Em 1926, torna-se sócio da Farmácia Central, juntamente com um amigo do pai. Este estabelecimento vem a falir quatro anos depois e Veríssimo só conseguirá saldar a dívida dezessete anos mais tarde.
   Este escritor que pertence hoje em dia ao cânone da Literatura Brasileira chegou também a trabalhar também, como professor de Literatura e Literatura Inglesa. Em 1927, conheceu a jovem com quem viria a casar, Mafalda H. Volpe, então com quinze anos – a idade de Clarissa, no romance com o mesmo nome – da qual fica noivo dois anos depois. Começam a ser publicados, nesse ano, alguns dos seus contos.
   Na década de 30, o jovem Autor muda-se para Porto Alegre, logo após a falência da farmácia, enquanto Mafalda permanece em Cruz Alta. Regressa a essa cidade um ano depois. É contratado como secretário da redação da revista O Globo, passando a conviver com os intelectuais da época, de entre os quais se destaca Mário Quintana. Arranja, também, trabalho como tradutor como complemento ao trabalho na Redação. Publica, em 1932, a coletânea Fantoches que consiste numa compilação de pequenos contos em formato de peças de teatro. Em 1933, publica o primeiro romance, Clarissa,
   Entretanto, casa com Mafalda Volpe e regressa a Porto Alegre onde tinha conseguido relativa estabilidade financeira..Tiveram dois filhos: Clarissa, com o mesmo nome da protagonista do seu primeiro romance, e Luís Fernando Veríssimo, também ele escritor e reconhecido.
Em 1935, Erico Veríssimo publica o seu segundo romance, Caminhos Cruzados, considerado subversivo pela Igreja Católica e pelo Departamento de Ordem Pública e Social, o que levou a que fosse interrogado pela polícia, a respeito da sua orientação política. Em 1936, publica mais dois romances que são a continuação de Clarissa: Música ao Longe (Prêmio Machado de Assis) e Um Lugar ao Sol. Em 1938, publica Olhai os Lírios do Campo, traduzido para várias línguas. Torna-se, a partir de então Conselheiro Literário da Editora do Globo, selecionando obras de Literatura Universal para serem traduzidas, e organizar coleções.
   Em 1940, publica Saga romance que o Autor classificou logo como o seu pior trabalho de ficção..
  Durante uma visita de três meses aos Estados Unidos, em pleno governo Roosevelt, Veríssimo testemunha o suicídio de uma mulher que se havia atirado do alto do edifício, facto que virá a inspirá-lo, já de regresso ao Brasil, a escrever mais um romance marcado pela polêmica, O Resto é Silêncio, o qual recebeu também fortes críticas do clero.
   Em 1943, o autor muda-se para os Estados Unidos com a família para uma estadia de dois anos afim de lecionar literatura, na Universidade de Berkeley, Califórnia. Sobre esta temporada na América do Norte, escreverá Gato Preto num Campo de Neve (1941) e A Volta do Gato Preto (1947). Decide permanecer mais algum tempo nos Estados Unidos por discordar do regime totalitário de Getúlio Vargas. A partir de 1947, começa a escrever a trilogia O Tempo e o Vento. O Primeiro volume O Continente (1949) seguido de O retrato, iniciado em 1950 e publicado no ano seguinte. Interrompe a escrita do último volume da trilogia, o qual sofreu vários adiamentos sucessivos, para publicar Noite. Nesse tempo, publica ainda México , um livro de viagens, em 1962. Entrega, finalmente a terceira parte de O Tempo e o Vento, O Arquipélago, para ser publicado em 1965. Nesse ano, sai também o romance O senhor embaixador, obra que arrebata o Prêmio Jabuti e, em 1966 a sua autobiografia, O Escritor diante do Espelho. Em 1969, escreve mais um livro de viagens, Abril, e em 1971, dá à luz o romance Incidente em Antares, obra em que envereda pelo caminho do realismo mágico e surrealismo. Ira ainda completar a sua biografia, cujo segundo volume só vem a público a título póstumo, deixando, inacabado o romance A Hora do sétimo Anjo. Morre em 1975, com um infarte fulminante.

                                                       Sobre Clarissa
   O Autor escreveu este romance sob um impulso poético, lírico, com a naiveté de um apaixonado por uma mulher/menina, algo idealizada, a que imaginou poder chamar de Clarissa, ma que tudo parece indica tratar-se de uma projeção da jovem Mafalda Volpe.
   Existem, no romance, paralelismo entre Clarissa e Amaro e Mafalda e o próprio Erico Veríssimo. Tal como o Autor do romance de que aqui tratamos, Amaro, o jovem pianista possui também um emprego monótono e rotineiro garantir a sobrevivência; enquanto que Clarissa é o próprio retrato de Mafalda na sua extrema juventude. A diferença de idades entre ambos, as origens sociais, as aspirações e o estilo de vida que levam (Clarissa provém de uma família remediada de agricultores que já tiveram bastante dinheiro) sugere em ambos a necessidade de adaptação uma vida com algumas dificuldades. O início de vida de Amaro, em Porto alegre é marcado por algumas evidentes restrições econômicas, sinalizadas na preocupação de pagar o aluguel do quarto da pensão antecipadamente e, em Clarissa, por nunca ter dinheiro para luxos.
   A vida na pensão decorre segundo o ritmo lento dos dias, debaixo de uma tranquilidade aparente, mas as vidas dos habitantes da pensão familiar onde se desenrola a trama têm nuances que passam despercebidas aos observadores mais desatentos. São pessoas que partilham apenas parcialmente as suas vidas, mas na solidão dos quartos ou das suas mentes, escondem, cada qual, os seus segredos,só vislumbrados através de gestos muito sutis, ou captados pelo olhar de Amaro ou de Clarissa, sendo que esta última não tem, ainda, suficiente conhecimento da natureza humana os decodificar. A trama do romance consiste nisto mesmo, no lento processo de refinamento das capacidades perceptivas de Clarissa, face aos verdadeiros motivos que se escondem por debaixo das máscaras, com que, cada qual, reveste o seu comportamento. A aprendizagem custa-lhe a inocência e as dores do crescimento são inevitáveis quando percebe que as pessoas não são exatamente o que aparentam e que nem sempre é possível confiar em quem se diz amigo. Para Amaro, a vida na pensão poderá facilitar-lhe a integração no meio intelectual e pelo acesso às infraestruturas que lhe permitem desenvolver a sua arte.

                                  A Pensão, como segundo lar da jovem Clarissa
   O cenário do romance onde se passa a maior parte da ação é a pensão de D. Eufrásia, mulher de meia-idade a quem Clarissa chama carinhosamente de “tia”, assim como ao marido desta, o Sr. Couto. A jovem chega à cidade do interior do interior para estudar no liceu e tornar-se professora. É filha de agricultores da província, que tem dinheiro mas não de forma ilimitada, são pessoas de uma simplicidade tocante. Como Clarissa.
   As personagens que habitam a pensão ou gravitam à volta dela, são todas elas representativas de determinados tipos sociais. Assim temos, Barata, o contador de anedotas de gosto duvidoso, boçal e glutão; Ondina, jovem e casada, mas com o marido sempre ausente ou desatencioso (adora cinema, mas o marido nunca a acompanha), gordo e sempre preocupado com os negócios; Amaro, um dos protagonistas, músico, discreto e introvertido, pouco sociável mas profundamente observador; Micefufe, um gato, silencioso e lânguido, esquivo, desliza suavemente pelos móveis e pelas pernas das pessoas (Micefufe é um flanneur, vive egoisticamente para si mesmo, sem encontrar empatia com ninguém; é um pouco o espelho da personalidade da maior parte dos hóspedes); Levinsky, o judeu que protagoniza acesas discussões religiosas, com o protestante Guimarães; o Major, reformado e bonacheirão; o Sr. Couto, marido de Dona Eufrásia, desempregado, diariamente humilhado por esta que o escraviza; Nestor, o bon vivant, de caráter duvidoso, acha-se irresistivelmente sedutor; Tonico, o filho da vizinha, deficiente físico, costuma vir para o jardim conversar com Clarissa; Pirulito, o peixinho dourado, observador permanente, na sua monótona vida de aquário a que o condenaram, só se altera quando invadido pelo pânico, motivado por uma súbita aparição de Micefufe, que se diverte a aterrorizá-lo; o indiscreto papagaio,eco das conversas dos hóspedes; e Dudu, a dissoluta, casada, mas mantém um romance secreto com Nestor.
   Segundo Rodrigo Petronio, autor do prefácio desta edição, Clarissa é detentor de uma série de elementos que fazem com a obra se possa enquadrar no gênero Bildungsroman, um romance composto por imagens ou quadros domésticos, embora sem o ser na sua forma mais pura. O romance trata,como já foi referido, do amadurecimento gradual da jovem Clarissa.. Todas as restantes personagens com quem convive diariamente na pensão e fora dela (Tonico, a mãe, a colega do colégio que frequenta) contribuem para o seu desenvolvimento, para a tomada de consciência de todas as dimensões de que é composta a vida humana:desde a sexualidade à influência e as repercussões da política no quotidiano do cidadão comum. Para Rodrigo Petronio, Clarissa só não é uma obra  na sua forma mais pura porque o retrato de Clarissa, como personagem central, se encontra é rodeado por uma galeria de retratos secundários, vista na maior parte das vezes pelo olhar da jovem, embora com o distanciamento crítico dado por um narrador heterogênio onisciente. Este descreve o que ela vê como um observador externo que estivesse no local a ver exatamente o mesmo que a protagonista. É nisto que consiste o hibridismo do romance: um Bildungsroman, é o mas não caracteriza unicamente Clarissa, é um o romance que ilustra a sociedade de finais dos anos vinte e início dos anos trinta, da classe média-baixa de Porto Alegre. Clarissa é assim, um continum de descobertas da sua homonímia protagonista já que o seu amadurecimento só vai sendo processado em confronto com o conhecimento do Outro e é com base nesta dicotomia de reflexo (a de que ao conhecer o outro se conhece a si mesma ao perceber-se nos olhar desse mesmo Outro) a jovem vai construindo e moldando a sua própria personalidade. Amaro e Clarissa são, neste aspecto de descoberta contínua, o desdobramento da mesma personalidade, diferindo apenas no modo como o fazem: Amaro fá-lo do ponto de vista de observador participante na história, mas é uma personagem excêntrica, que se coloca um pouco à margem dos demais, na medida e que a sua existência é quase que aliada da dos restantes hóspedes. Amaro torna-se um observador que quase não intervém no rumo dos acontecimentos. Nisto é ajudado pela própria personalidade, tendente para a nostalgia, para a desilusão e para o desalento, motivado pela rotina de um emprego monótono e pouco estimulante para quem ambiciona enveredar por uma carreira artística. Já Clarissa, sendo a principal interveniente na história, vai interagir com, praticamente, todas as personagens que vivem na pensão ou que estão em contacto direto com ela, como é o caso da vizinha, a ex-governanta de um médico, com um filho deficiente. É através desta interação social que a adolescente toma consciência da realidade, pela via empírica. A juventude e a inocência são os principais traços de personalidade que compõem o seu retrato físico e psicológico. As outras personagens são vistas pelos olhar de Clarissa, apesar de esta não falar na primeira pessoa. O narrador heterogêneo descreve o que vê Clarissa, a qual apenas registra na sua mente as impressões mas não profere juízos de valor, a não ser a um nível das atrações mas sem qualquer tipo de pretensão moralizante. É como se fosse um antropólogo a registrar o que observa no seu diário, enquanto faz uma monografia. Quando Clarissa começa a ser capaz de interpretar o que vê, termina o romance. As cenas de vistas pelo olhar de Amaro são sempre protagonizadas por Clarissa. São autênticos quadros impregnados da aura romântica, patente na idealização da inocência e juventude. Clarissa é o protótipo da mulher/anjo, sendo que o temperamento das restantes personagens, é projetado pela visão desta:
                O Nestor. Sempre cantando. Sempre alegre. Clarissa gosta de pessoas alegres. Nem todas, na pensão, têm cara alegre. O mais triste é Amaro: tem ar de sofredor, olhos que estão sempre olhando para parte nenhuma. E, depois, aquela mania de viver em cima do piano, batendo à toa nas teclas, inventando músicas que ninguém compreende. Enfim com toda a gente diz que ele é um homem muito inteligente, é melhor não discutir...sorrindo, Clarissa entra no quarto.
   Clarissa é, na verdade, como se fosse uma esponja: Ainda não tem a personalidade consolidada, mas absorve todos os gestos todos os olhares, embora ainda sem a capacidade de decifrar as atitudes que se escondem por detrás de cada gesto...O não conhecimento é, neste caso, a raiz da inocência. Só no final do romance a adolescente começa a ser capaz de pensar por si mesma, perceber que quase toda a gente, oculta segredos que mascara a todo o custo para garantir a aceitação social
   Já Amaro, é diferente. Com todo o conhecimento do mundo que possui, está só. Existe um muro quase intransponível entre ele e os demais. Possui o mesmo sentido de observação de Clarissa, a mesma capacidade de registro dos detalhes, mas já com a capacidade de discernimento que falta à adolescente.
   Clarissa cresce e, quando o romance termina, está quase a perder aquela a beleza intacta de adolescente com a graça infantil desprovida de malícia, a verdadeira causa da idealização da inocência: a aceitação do outro sem o julgar. Clarissa é o oposto da amiga, Elisa, a colega da escola, materialista e desejosa de experimentar sensações novas, sobretudo relacionadas com a sexualidade.
                          Clarissa sorve o último gole de café, lambe a ponta dos dedos lambuzados de mel e olha o relógio: sete e vinte. É preciso estar às oito no colégio. Raio de obrigação.
   A última exclamação e os gestos exprimem a sua extrema juventude e imaturidade. Clarissa tem atitudes muito próximas da infância, exprime-se ainda de acordo com o princípio do prazer e reage com alguma impaciência, sempre que submetida a regras de conduta e convívio social pela tia, encarregue de zelar pela sua educação enquanto se encontra hospedada naquele local, ou pelo código de decoro da comunidade ou mesmo do sentido de responsabilidade que lhe é incutido pelos pais, à distância, e controlado pela Tia Eufrásia, no local ode reside em tempo de aulas:
                            Juizinho, minha filha, que estás ficando uma moça...
   As idiossincrasias dos hóspedes – a boçalidade do gordo caixeiro viajante, a tentativa de requinte glamouroso de Belinha, sempre a compor o rosto com pó-de-arroz, desmentida pela vulgaridade do seu dente de ouro a manchar-lhe o sorriso, o mau humor da cozinheira Belmira, as eternas discussões políticas sobre o fascismo de Levinsky – todas elas são encaradas pelo olhar compassivo e benevolente de Clarissa, a qual só não consegue compreender Amaro e a sua melancolia. Mas ao mesmo tempo ela adivinha qualquer coisa de sinistro na personalidade da criança deficiente e na mãe desta, sobretudo na relação que estabelecem com os outros – um certo rancor pela normalidade.
   O romance vai progredindo, como já foi dito, à medida que Clarissa descobre que o mundo não é a preto e branco mas que a realidade que lhe está subjacente declina numa infinita paleta de nuances: por exemplo, que o homem triste, a quem menospreza por não dar nas vistas, é alguém de valor e inteligente; que um temperamento alegre como o de Nestor pode esconder um caráter irresponsável ou, pelo menos, incapaz de medir as consequências das suas atitudes. Mesmo a vizinha, a mãe do menino “doente” esconde um temperamento sombrio, habituado a agredir e a culpar os demais sorte de pertencerem à normalidade, por terem uma vida melhor do que a sua, por serem felizes.
                    Clarissa está encantada (…). Estranha as fisionomias. Expressão de felicidade, de ódio, de aborrecimento, de serenidade, de indiferença, de ternura, de inveja. Caras que parecem máscaras que as pessoas mudam a cada instante.
(…)
Mas que mistério haverá na vida de Amaro? Sempre calado, ausente, abstrato, tristonho...Qual será o segredo de Belinha? Quem será o seu amor? Quem terá sido o marido de D. Glória?
   O conhecimento da natureza humana opera em Clarissa, já no final do romance, uma alteração da perspectiva com que olha a realidade, o que é sempre um choque para quem está habituado a ver o mundo de uma forma linear, tal como ele se apresenta. Aqui há como que uma intertextualidade com a alegoria da caverna de Platão de forma a distinguir o mundo das aparências, a escuridão da caverna, e o mundo fora da caverna onde o ser humano passa a enxergar as cores da realidade. É precisamente aqui que se situa a fase final do romance onde começa a despontar a Clarissa adulta, na fronteira entre a adolescência à juventude.
   Por causa da aura romântica da personagem, para Rodrigo Petronio, “O estilo de Veríssimo às vezes redunda num abuso de cores e tons pastosos, e em adjetivos e romantismos excessivos, aspectos que ele irá resolver em seus livros posteriores.”
   Mas é, muito provavelmente por causa deste jeito que Clarissa pode ser considerado, um livro aconselhável a todas as idades, que se lê de um só fôlego, numa tarde de férias.
Fonte: hasempreumlivro.blogspot.com